quinta-feira, 31 de março de 2011

Conselheiros do Grêmio levantam dúvidas sobre contrato com Rede Globo


Igor Natusch
A negociação envolvendo Grêmio e Rede Globo pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro provocou uma subida de tom nas reuniões do conselho deliberativo do clube gaúcho. O contrato, assinado pelo presidente Paulo Odone no último dia 17, garante à emissora o direito de exibir até 2015 os jogos gremistas pela competição nacional. “A proposta (da Globo) mais do que dobra o que ganhávamos até aqui”, disse Odone na época. No entanto, conselheiros ligados à oposição colocam em dúvida o procedimento seguido pela atual direção, que teria atropelado o estatuto do Grêmio e prejudicado seriamente o Clube dos 13, conduzido pelo ex-presidente gremista Fábio Koff.
A entidade que congrega os principais times de futebol do Brasil propôs uma licitação para definir quem teria os direitos de transmissão a partir de 2012, seguindo recomendações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Rede Globo passou a negociar diretamente com os clubes, enfraquecendo o Clube dos 13, responsável pelos contratos anteriores. O Grêmio foi o primeiro clube a anunciar acordo com a emissora, sem a intermediação do órgão esportivo. No processo licitatório, os direitos foram adquiridos pela Rede TV – mas a exibição dos jogos pela emissora vai ficando cada vez mais improvável, na medida em que a maioria dos times que disputam a primeira divisão confirmam seus acordos com a atual detentora dos direitos.
A divergência dentro do conselho deliberativo gremista teria se evidenciado na última reunião dos conselheiros, ocorrida no último dia 22. Em seu blog, o conselheiro gremista André Kruse faz um relato do encontro. Após a aprovação do orçamento gremista para 2011 e de deliberações sobre o planejamento estratégico do clube até 2014, o presidente Paulo Odone pediu a palavra e fez uma exposição dos motivos que levaram à assinatura de contrato com a Rede Globo. Em sua explanação, Odone comparou o Brasil com o modelo de direitos de imagem na Europa, onde a negociação é feita apenas com o mandante do jogo. No Brasil, a lei exige que o acordo envolva os dois times que disputam a partida, o que seria um fator positivo para os clubes.

Em sua fala, Paulo Odone criticou a posição do Clube dos 13, que teria levado em conta apenas critérios financeiros, desconsiderando a capacidade técnica e o know-how das emissoras que desejavam participar da licitação. Criticou também a proposta da Rede Record, que considerou muito pouco superior à da Globo, além de depender de garantias financeiras para ser viabilizada. Na reunião, Odone também apresentou os números oficiais do contrato assinado com a Rede Globo – valores que, por enquanto, permanecem em sigilo, sendo de conhecimento exclusivo dos conselheiros.

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